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Irene Maluf porIrene Maluf

Quando contar que papai noel não existe?

Aproxima-se novamente o Natal, data de confraternização, troca de presentes e encontros familiares. Época que encanta especialmente às crianças, que aguardam ansiosamente a visita do Papai Noel.

Várias histórias explicam a origem do Bom Velhinho, sendo a mais aceita a que o descreve como um bispo católico muito bondoso, chamado Nicolau, que viveu na no século V. Cansado de ver o sofrimento de seu povo, especialmente das crianças, resolveu presentear a garotada com brinquedos e guloseimas, justamente na data em que os católicos comemoram o nascimento de Jesus. Assim aos poucos, nasceu a história do Papai Noel que logo foi se disseminando mundo afora.

Por isso, Papai Noel também é conhecido como São Nicolau, o santo das crianças, e seu dia é comemorado em 6 dezembro. Mesmo que ele não passe de uma lenda, simboliza a bondade, a generosidade e a renovação da vida. Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo.

Como as crianças pequenas vivem em um mundo de fantasia até por volta dos cinco ou seis anos e como são naturalmente egocêntricas (acreditam que tudo gira em torno delas) as explicações fantasiosas que os pais lhes dão, são rapidamente aceitas, pois fazem todo sentido até essa idade.

Assim como acreditam no mundo encantado dos desenhos animados, das histórias e contos de fadas. Para elas a existência do “Bom Velhinho” que traz presentes na noite de Natal, é perfeitamente plausível. E agradável.

Para entendermos como isso acontece na mente infantil é interessante lembrarmos que entre os 2 anos e até mais ou menos os 6 ou 7 anos, as crianças vão conquistando, gradativamente, novas capacidades do pensar.

Experimentando o mundo real através da brincadeira e da imaginação, elas vão se apoderando de seu próprio pensamento. Somente depois dos 6 anos é que elas vão desenvolver gradativamente a capacidade de considerar com lógica se os fatos são verdadeiros ou fantasiosos. Importante lembrar que as fantasias das crianças até essa faixa etária, não se destinam a enganar maliciosamente: fazem parte do pensamento infantil e natural dessa idade.

Acreditar na figura do Papai Noel é quase que uma etapa saudável do desenvolvimento mental da criança, assim como também o é, crer no Coelhinho da Páscoa e nas figuras que povoam os contos de fadas. As crianças depositam nessas figuras imaginárias toda sua fantasia, que deve ser desmistificada somente à medida em que estiverem prontas para saber a verdade. Ou seja, deve-se responder às perguntas sobre a existência real ou não do Papai Noel quando a criança começar a perguntar ou demonstrar que desconfia de algo a respeito.

O ideal é comparar o Papai Noel aos heróis das historinhas, dos personagens dos contos de fadas, para que entendam que mesmo não sendo como os humanos, têm uma “vida” em nossa imaginação e coração para sempre.

Importante mesmo, é transmitir aos pequenos o verdadeiro significado do espírito de Natal, o que pode começar por volta dos 3 ou 4 anos, quando  a criança começa a entender o significado maior desta data: a confraternização entre as pessoas. Logo, os pais podem e devem lhe oferecer a possibilidade de vivenciar na prática, valores como solidariedade, companheirismo e doação.

As crianças podem, por exemplo, ajudar a montar a árvore de Natal, enriquecendo-a com seus enfeites, desenhos e bilhetinhos feitos por elas para essa data, assim como ceder alguns brinquedos em bom estado com os quais não brinca mais, para crianças carentes ou preparar pequenos presentes feitos por elas para seus parentes e amigos. 

É importante que todos, pais e filhos, pensem no verdadeiro significado do Natal. É bom mostrar às crianças que “o que vou ganhar? deve ser trocado  pelo “como posso ajudar”?

A época do Natal é uma ocasião de reflexão e crescimento para toda a família. Pensem nisso, antes de comprarem um mar de presentes que logo ficarão esquecidos em uma gaveta. Os valores transmitidos não tem prazo de validade e com certeza trarão felicidade por muito mais tempo!

Irene Maluf porIrene Maluf

Transtorno Bipolar na Infância

A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável para todos os que se seguirão por toda vida.

A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da freqüência e intensidade usuais.

Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral.

Entre esses, o Transtorno do Déficit da Atenção, com ou sem hiperatividade (TDA/H) e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.

O TDA/H, hoje muito comentado em função da amplitude da divulgação na imprensa, é um exemplo. Conhecido dos médicos há várias décadas, com o advento das especializações, como por exemplo a psicopedagogia, passou a ser objeto de estudo multidisciplinar e os resultados dos tratamentos têm sido, em sua grande parte, de enorme valia, tanto para os pacientes, como para suas famílias e a sociedade.

Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico e psicopedagógico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, entre outras.

Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esse transtorno. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de TDA/H a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como conseqüência, casos em que o transtorno não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes reais e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de “achismos” como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.

O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica.

Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é também mais crônico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.

Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida, como psicólogos e psicopedagogos.

É importante salientar ainda que estes transtornos afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco (como promiscuidade sexual e abuso de substâncias), dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações,etc .

Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos psiquiatras ou neurologistas em conjunto com psicopedagogos, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola.

Minimizar esses transtornos só piora suas conseqüências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro dos nossos filhos!

Irene Maluf porIrene Maluf

Agressividade Infantil

A agressividade é um sentimento natural e comportamentos agressivos são relativamente comuns entre as crianças de 1 a 3 anos, pois estas ainda não aprenderam a controlar seus sentimentos e reações, especialmente a frustração e a raiva que deles decorrem.

Entretanto, ninguém aprende sozinho a dominar sua agressividade: é preciso que os pais e os profissionais da educação que lidam com essa faixa etária estejam atentos, observando constantemente a maneira como os pequenos começam a se relacionar com coleguinhas e com os adultos.

E também, é claro, é importante que pais e professores se prepararem para interferir quando as mordidas, os arranhões e os tapas aparecerem no grupo.

Demonstrações de força física, entre crianças dessa faixa etária, são ações esperadas uma vez ou outra.

Entretanto, se essa conduta está presente no dia a dia, como única forma infantil de demonstrar seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúmes, ansiedade e até para chamar a atenção, de modo persistente e difícil de ser controlada, temos que buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.

Na medida em que o tempo passa, as consequências vão surgindo, tais como uma grande dificuldade de lidar de maneira adequada com as outras pessoas em todos os ambientes.

Sua socialização vai se tornando cada vez mais empobrecida, permeada de múltiplos problemas de relacionamento e, decorrente a isso, sua autoestima fica diminuída e frequentemente até sua escolaridade é prejudicada.

Algumas vezes, este comportamento é resultado de uma disciplina familiar excessivamente severa ou, ao contrário, muito negligente. Ainda, pode ser consequência da vivência diária da violência familiar.

O que fazer em casa e na escola para desde bem cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma menos violenta os seus sentimentos de desagrado?

Primeiro, quando o bebê começar a bater no rosto dos pais, lembrar-se de que isso pode parecer engraçado da primeira vez, mas que, por conta dessa atitude, toda criança vai entendê-la como de atenção e aprovação e, com isso, ela perseverará nesse hábito agressivo e desagradável.

Espera-se que o adulto, em vez de rir, diga “não” de forma firme (mas calma) e segure as suas mãozinhas, de modo que ela perceba o seu desagrado.

O ideal para modificar esse hábito é tentar conter a conduta agressiva antes de começar. As crianças agem dessa forma quando querem chamar a atenção e quando estão frustradas: portanto, já se tem um indício de quando poderá iniciar esse comportamento.

Se já souber falar, é importante explicar-lhe que tapas, mordidas e arranhões machucam as pessoas, que elas não gostam disso e vão se afastar dela.

Dizer: “Dói quando você me bate ou dói quando você me morde”. Se a criança persistir, mostrar seu desagrado, colocando-a no berço ou chão se já caminhar.

Evite deixar seu filho ou aluno machucar o amigo ou o irmão. No caso de isso acontecer, separe as crianças e atenda primeiro o que foi ofendido.

Isso mostra ao brigão que ele perde sua atenção quando age agressivamente.

Nunca revide no lugar da vítima e nem a estimule para que o faça, pois você estará passando a ideia de que a agressividade é permitida como revide, criando um círculo vicioso.

No lugar disso, quando a situação é repetitiva, eleja uma consequência negativa: não dar atenção por alguns minutos sempre ensina muito mais do que gritos ou palmadas.

Mas se apesar de seus esforços o comportamento agressivo persistir, é melhor procurar um especialista ou o recomendar aos pais se você for o(a) professor(a) da criança.

A experiência vem mostrando que, crianças pequenas que não são ensinadas desde cedo a conter seus ímpetos agressivos, tendem a continuar com esse comportamento ao longo da infância e da adolescência, o que as leva a ser rejeitadas pelos colegas de classe e a se juntar a grupos em que a violência é aceita como regra.

Isso vai gerar um problema de conduta antissocial de proporções e consequências negativas e muito graves.

Irene Maluf porIrene Maluf

Adoção: aprendizagem e humanidade

“Na verdade, todas as crianças precisam ser adotadas para se tornarem filhos, porque a filiação somente acontece através dos vínculos afetivos, ou seja, pela adoção. Assim sendo, todos os filhos precisam ser adotivos, mesmo os biológicos, ou não serão filhos de fato. Os pais que não adotam as suas crianças afetivamente, são apenas genitores”.

Suzana Schettini

 

Um importante movimento de tomada de consciência sobre antigos preconceitos e tabus, se estendeu no século XX, a uma das áreas mais sensíveis para as famílias que por algum motivo não podem gerar filhos: a adoção.

Antes de um ato de solidariedade e cumprimento de uma determinação social, uma exigência quase global de se criar uma prole, ter herdeiros e dar continuidade ao nome de família, a adoção passa pelo acolhimento afetivo e o desejo de se amar incondicionalmente uma criança, independentemente de sua carga genética, origem, vantagens imediatas ou desvantagens a curto e longo prazo que possa trazer à família que a recebe.

Idéias pré-concebidas de que necessariamente o adotado é uma criança de “segunda classe”, que “trará problemas” e “jamais será como um filho biológico”, caíram por terra frente às pesquisas cientificamente realizadas no exterior e no Brasil e às declarações de famílias adotantes e filhos adotados que ora se apresentam a público, sem qualquer resquício do antigo receio de se expor.

Recém nascidos trazem, além de uma herança biológica, as experiências percebidas desde o útero materno. Especialmente no caso de crianças abandonadas, é provável que tais vivências tenham sido mais desfavoráveis, menos agradáveis, pois as agressões decorrentes das prováveis tentativas de aborto, da rejeição antes mesmo do nascimento, do abandono e a negligencia, as privações, deixam marcas profundas.

Porém, se acolhidas por um pai e uma mãe afetuosos e bons cuidadores, que lhe ofereçam, além de teto e alimento, amor, respeito e educação, essas suas questões iniciais vão sendo diluídas e tornam-se pouco significativas no seu desenvolvimento global.

Prejuízos cognitivos, físicos e afetivos podem aparecer também entre os filhos gerados biologicamente já que ninguém está totalmente livre se esquivar de doenças familiares ou congênitas, de má formações inesperadas e de acidentes pré , peri e pós natais, de anomalias de toda ordem que podem surgir até mesmo em famílias totalmente sadias.

Um outro ponto importante é lembrarmos que o tempo pesa negativamente contra aquelas crianças que ficam por anos à espera de quem as venha adotar: não só porque as condições de vida e aprendizagem dentro de uma Instituição, por melhor que essa seja, não correspondem às necessidades reais de toda criança, mas também porque, por puro preconceito e ignorância, as pessoas que desejam um filho, geralmente o querem pequenino, de pele e olhos clarinhos. E isso em um país onde a população na sua grande maioria não tem essas características físicas e onde grande parte das crianças disponíveis para adoção legal já passou da idade das fraldas e por vezes em muitos anos!

A adoção de um filho, presta-se principalmente a fazer valer os direitos e as necessidades do adotado e não do adotante, da mesma forma que o filho biológico vem antes para ser cuidado do que para preencher um lugar social, ou ser uma realização de anseios pessoais paternos, familiares e até para ser herdeiro. Estamos no século XXI e o tempo em que os sucessores eram indispensáveis para garantir poder, recursos financeiros ou aceitação social, já se encontra apenas nos livros de História Geral!

Ter um filho, é muito mais que o gerar biologicamente: é o fazer nascer do amor, crescer entre os que o desejaram e amaram antes mesmo de ver seu rosto ou conhecer suas características físicas e independentemente de ter ou não ter uma particularidade qualquer.

Lembremos que a nossa semelhança com todos os nossos filhos pode e deve ser ressignificada antes na afetividade do que nos traços fisionômicos, nos comportamentos e valores (que só a boa educação perpetua) do que no reconhecimento familiar trazido pelo código genético. E, principalmente, deve ser cunhada na certeza de que antes da razão, é o amor, a emoção e a capacidade de se doar, de adotar, que nos torna de fato humanos.