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Autor Irene Maluf

Irene Maluf porIrene Maluf

Autonomia: aprendizado complexo

Vivenciar as frustrações desde a fase inicial da existência é importante para o desenvolvimento. Crianças superprotegidas tornam-se jovens que entram na vida adulta fragilizadas para enfrentar os desafios.

Criar um filho bem-sucedido, seguro de si mesmo, um líder admirado por todos é o desejo de qualquer pai. Mas uma longa construção, que começa no berço, é necessária para se atingir esse objetivo e muitos entraves estão no caminho.


A proteção excessiva é um dos maiores empecilhos e nem sempre é necessária uma dose exagerada de mimos, elogios ou amparo desmensurado para colocar tudo a perder. Amor, atenção, cuidados na dose certa, acompanhados de normas, hábitos sadios e responsabilidade, são o mapa do tesouro em educação. Como conseguir encontrar essa medida para cada filho é o desafio.

O pensamento mais comum entre as famílias condiz com a premissa de que poupar as crianças de vivenciarem problemas desde cedo, evitar dissabores, decepções, vai lhes proporcionar uma infância muito boa, memorável e sem “traumas”, palavra essa usada da forma mais popular e errônea possível. Julga-se que dar aos pequenos a chance de passarem por uma fase inicial da existência sem frustrações antes da chegada da vida adulta, quando certamente os problemas e responsabilidades virão por si mesmos, lhes deixará, além das lembranças, uma base afetiva que fará com que se sintam mais felizes e seguros.

Infelizmente, ocorre o contrário: como atletas sem treinos as crianças superprotegidas tornam-se jovens que entram na vida adulta fragilizados, despreparados para enfrentar desafios, derrotas e vitórias com responsabilidade. Ou seja, acontece que esse modo de levar a educação comprovadamente não resulta nos desejos familiares tão bem-intencionados, mas deságua em um mar de frustrações, pessoas inseguras, imaturas, insatisfeitas, pois não são gradativamente preparadas para os embates da vida nem para a concorrência normal que há no mundo profissional, onde as pessoas mais resistentes ás perdas mais assertivas e motivadas quase sempre ocupam os postos de liderança.

Tudo que é “super” merece, ao menos em educação, um olhar crítico em relação principalmente às consequências futuras. Superproteção é desnecessária e contraindicada porque prejudica, debilita. Superproteger não é sinônimo de amar e cuidar: está mais para desvitalizar, desmotivar, infantilizar e incapacitar. As consequências ultrapassam a própria vítima e atingem toda a família.

Outro ponto importante é que alguns pais tendem a enaltecer desmesuradamente qualquer coisa que os filhos façam com mínimo esforço, assim como satisfazem todos os desejos infantis, dando-lhes uma falsa ideia de poder, inadequado para o crescimento mentalmente saudável da criança.

Muitos pais confundem inteligência e extroversão com capacidade de ser responsável pelos próprios atos. Mesmo inteligente e sagaz, a criança tem limites próprios de sua etapa de desenvolvimento. Crianças só se sentem seguras quando têm um adulto que as oriente e as motive, impulsione, ensine a tomar conta de si mesmas, a serem responsáveis, terem confiança nos seus atos e decisões.

Adultos são responsáveis pelos filhos até que esses sejam maiores de idade, e dizer o contrário não muda a realidade das coisas: a negligencia, tão grave quanto a superproteção, é punida por lei; então, deixar os filhos fazerem o que desejam poderia ser enquadrado dessa forma.

As crianças precisam sentir que há alguém no comando, que cuida e que sabe o que é melhor para elas, mesmo que isso represente a perda de algum privilegio momentâneo. Ao tomarem decisões como adultos, estão na verdade tornando-se pequenos tiranos, coisa que não tem nada de positivo, e, pior, sentindo-se infelizes, pois percebem que seus pais não têm tempo nem dão valor e atenção a eles.

Crianças devem, na verdade, gradativamente aprender a decidir, na medida em que se tornem amadurecidas e capazes de responder pelas consequências de seus atos. Isso pode e deve acontecer desde muito cedo, pois o desenvolvimento da verdadeira autonomia é um processo longo que depende de vivências e experiências de várias ordens, mas necessariamente envolve responsabilidade pelos atos.

Autonomia é um aprendizado complexo, um processo que exige maturidade neurológica, emocional, treino social e apoio familiar. Incentivar, supervisionar, parabenizar são importantes para essa aquisição, pois geram autoestima, segurança e motivação.

Ser autônomo depende da capacidade de prescindir da dependência excessiva dos pais, assim com o do seu incentivo permanente para que se responsabilizem por pequenas tarefas que aos poucos vão se ampliando em complexidade: guardar os brinquedos, amarrar os tênis, escovar os dentes sozinho, arrumar o material escolar, fazer as lições, cuidar de algumas tarefas de casa, gerenciar mesada, escolher entre as opções dadas por seus pais, e principalmente responder por suas (pequenas) decisões etc.

Tornar-se mais flexível, capaz de se relacionar, se comunicar com as outras pessoas e fazer escolhas, desenvolve a sua autoestima, fator decisivo para o sucesso pessoal e profissional.

Só o desenvolvimento gradativo da autonomia na infância permite a construção de uma personalidade saudável e possibilitará o fortalecimento da capacidade de resolver conflitos ao longo da vida e alcançar sucesso pessoal, social e profissional.

Irene Maluf porIrene Maluf

A Neurociência e a Arte

Quantas vezes, ao olhar para as notas escolares dos filhos, os pais dizem: “Pelo menos em Artes você conseguiu alcançar a média!”? E ao invés de estimularem a criança a continuar tendo sucesso nessa disciplina, a desencorajam! E fazem seu filho perder uma grande oportunidade de melhorar sua autoestima, desenvolver interesse pelos estudos e ambicionar se destacar também nas demais disciplinas.

Estudos científicos recentes têm provado que a prática de uma expressão da arte é importante, e até indispensável, para a educação das crianças, já que esta amplia a percepção, a afetividade, a memória, a capacidade atencional e de concentração, assim como o planejamento, organização e antecipação, expressão, além da imaginação, do sentido estético e da criatividade, que são pré-requisitos básicos e essenciais para o desenvolvimento harmônico de toda a escolaridade.

A música, por exemplo, é ligada à capacidade de aprendizagem da Matemática e está também intimamente relacionada ao desenvolvimento das funções da linguagem e da expressão verbal. Não é à toa que as crianças de todo o mundo passam seus anos pré-escolares aprendendo a cantar, a tocar algum instrumento, a dançar, desenhar e pintar: nosso cérebro requer tais atividades para revelar seu melhor potencial de aprendizagem. Por que, então, depois dessa fase, algumas pessoas deixam de dar crédito a essas atividades que estimulam todos os sentidos, seja auditivo, o tátil, o visual e o cinestésico? Isso sem falarmos das questões relacionadas à autoestima, principalmente das crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem, que fortalecem, através do seu contato com a arte, a motivação catalisadora de condições neurológicas, que propiciam melhores condições de aproveitamento da escolaridade.

A arte estimula também as crianças e jovens a superarem seus problemas de timidez, insegurança, dificuldade de relacionamento social e é conhecida a importância que tem no tratamento de pessoas mentalmente prejudicadas.

A inegável importância do cérebro no processo de aprendizagem tem levado muitos educadores e psicopedagogos a buscarem nas contribuições da Neurociência uma maior compreensão do processo de aprendizagem e novos recursos para facilitar seu trabalho nas classes e no consultório.

Diferentes estudos neurocientíficos comprovam que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de modo inter-relacionado: assim, interligar as artes de modo geral, e a música mais especificamente, nas atividades pedagógicas, resulta em uma experiência que promove a cooperação simultânea do sistema visual, auditivo e tátil. A musicalização, por exemplo, favorece a cognição, a afetividade, a psicomotricidade, a comunicação e a cooperação, fatores essenciais na alfabetização.

As pesquisas de Michael Gazzaniga, um respeitado neurocientista da atualidade, objetivam descobrir como a arte influencia a cognição das crianças. Através de técnicas de imageamento cerebral, em um estudo de vários anos, constatou que a observação de obras de arte gera a motivação e a atenção sustentada e ativa diversos circuitos cognitivos do cérebro.

Quando um aluno demonstrar interesse pela arte, os professores e os pais devem se recordar da importância que esta tem para a aprendizagem e se lembrarem, na medida do possível, de aproveitarem o sucesso das crianças nessas atividades em favor do seu envolvimento e desenvolvimento escolar.

Irene Maluf porIrene Maluf

Agressividade Infantil

A agressividade é um sentimento natural e comportamentos agressivos são relativamente comuns entre as crianças de 1 a 3 anos, pois estas ainda não aprenderam a controlar seus sentimentos e reações, especialmente a frustração e a raiva que deles decorrem.

Entretanto, ninguém aprende sozinho a dominar sua agressividade: é preciso que os pais e os profissionais da educação que lidam com essa faixa etária estejam atentos, observando constantemente a maneira como os pequenos começam a se relacionar com coleguinhas e com os adultos.

E também, é claro, é importante que pais e professores se prepararem para interferir quando as mordidas, os arranhões e os tapas aparecerem no grupo.

Demonstrações de força física, entre crianças dessa faixa etária, são ações esperadas uma vez ou outra.

Entretanto, se essa conduta está presente no dia a dia, como única forma infantil de demonstrar seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúmes, ansiedade e até para chamar a atenção, de modo persistente e difícil de ser controlada, temos que buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.

Na medida em que o tempo passa, as consequências vão surgindo, tais como uma grande dificuldade de lidar de maneira adequada com as outras pessoas em todos os ambientes.

Sua socialização vai se tornando cada vez mais empobrecida, permeada de múltiplos problemas de relacionamento e, decorrente a isso, sua autoestima fica diminuída e frequentemente até sua escolaridade é prejudicada.

Algumas vezes, este comportamento é resultado de uma disciplina familiar excessivamente severa ou, ao contrário, muito negligente. Ainda, pode ser consequência da vivência diária da violência familiar.

O que fazer em casa e na escola para desde bem cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma menos violenta os seus sentimentos de desagrado?

Primeiro, quando o bebê começar a bater no rosto dos pais, lembrar-se de que isso pode parecer engraçado da primeira vez, mas que, por conta dessa atitude, toda criança vai entendê-la como de atenção e aprovação e, com isso, ela perseverará nesse hábito agressivo e desagradável.

Espera-se que o adulto, em vez de rir, diga “não” de forma firme (mas calma) e segure as suas mãozinhas, de modo que ela perceba o seu desagrado.

O ideal para modificar esse hábito é tentar conter a conduta agressiva antes de começar. As crianças agem dessa forma quando querem chamar a atenção e quando estão frustradas: portanto, já se tem um indício de quando poderá iniciar esse comportamento.

Se já souber falar, é importante explicar-lhe que tapas, mordidas e arranhões machucam as pessoas, que elas não gostam disso e vão se afastar dela.

Dizer: “Dói quando você me bate ou dói quando você me morde”. Se a criança persistir, mostrar seu desagrado, colocando-a no berço ou chão se já caminhar.

Evite deixar seu filho ou aluno machucar o amigo ou o irmão. No caso de isso acontecer, separe as crianças e atenda primeiro o que foi ofendido.

Isso mostra ao brigão que ele perde sua atenção quando age agressivamente.

Nunca revide no lugar da vítima e nem a estimule para que o faça, pois você estará passando a ideia de que a agressividade é permitida como revide, criando um círculo vicioso.

No lugar disso, quando a situação é repetitiva, eleja uma consequência negativa: não dar atenção por alguns minutos sempre ensina muito mais do que gritos ou palmadas.

Mas se apesar de seus esforços o comportamento agressivo persistir, é melhor procurar um especialista ou o recomendar aos pais se você for o(a) professor(a) da criança.

A experiência vem mostrando que, crianças pequenas que não são ensinadas desde cedo a conter seus ímpetos agressivos, tendem a continuar com esse comportamento ao longo da infância e da adolescência, o que as leva a ser rejeitadas pelos colegas de classe e a se juntar a grupos em que a violência é aceita como regra.

Isso vai gerar um problema de conduta antissocial de proporções e consequências negativas e muito graves.

Irene Maluf porIrene Maluf

Como ajudar seu filho com problemas na aprendizagem

Hoje é frequente as famílias matricularem suas crianças bem cedo na escola e por isso o desempenho infantil nas diferentes áreas do desenvolvimento começa a ser observado com mais cuidado, e precocemente se percebem problemas que antes passavam desapercebidos.

Muitas vantagens vieram com essa mudança, principalmente para cerca de 10% de toda população infantil que segundo se sabe, tem problemas de aprendizagem, os quais podem ser identificados mais facilmente na escola, pelos professores do que pela família, pois os profissionais da educação são preparados para tal tarefa durante anos de estudo.

Sabe-se também que quanto mais cedo se descobrir esse tipo de problema, mais prontamente, na grande maioria dos casos, se pode ajudar a criança a superá-lo ou diminuir suas consequências futuras: fracasso, problemas na socialização, diminuição da autoestima, fobia e evasão escolar.

Entretanto, como a responsabilidade maior pela educação de uma criança cabe aos seus pais e estes têm direito de querer não apenas ajudar o filho, mas de garantir que os professores estão corretos na sua avaliação, é natural que desejem conhecer alguns dos sinais indicadores mais importantes que sugerem a presença de uma Dificuldade ou até da probabilidade do Transtorno de Aprendizagem, que pode posteriormente, no ensino Fundamental I, se apresentar.

As Dificuldades de Aprendizagem, são muito mais comuns do que os Transtornos. Têm como causa em geral os fatos que ocorreram na vida da criança (como doenças, luto, ausências ou mudança de escola, de casa, etc.) ou com sua família (separação dos pais, brigas frequentes, enfermidades, problemas financeiros, etc.). Aparecem em qualquer fase, desde a pré escola até a idade adulta. Com ajuda da escola e da família e as vezes de um profissional, a criança as supera totalmente.

Os Transtornos de Aprendizagem, são mais raros e sérios, pois embora as crianças sejam inteligentes, envolvem questões neurológicas e crônicas. O diagnóstico é realizado por volta dos 8 ou 9 anos de idade, por neurologistas, e necessariamente precisarão de ajuda especializada, como psicopedagogos e fonoaudiólogos. São exemplos a Dislexia e a Discalculia. 

Por esses motivos é importante observar em casa e acompanhar junto à professora da pré escola se seu filho apresenta com frequência estes comportamentos que denotam Dificuldades de Aprendizagem: 


COMPORTAMENTOS INDICATIVOS DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM, OBSERVADOS ATÉ OS 6 ANOS DE IDADE

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA SEREM FEITAS EM CASA   E AJUDAR A CRIANÇA

PROVÁVEIS CONSEQUÊNCIAS PARA A APRENDIZAGEM, CASO A DIFICULDADE NÃO SEJA ELIMINADA OU MUITO DIMINUÍDA

LINGUAGEMSua aquisição de vocabulário é lenta e ao falar comete muito erros de articulação.Impaciência constante ouvir alguém lendo histórias.

Leitura diária de histórias em voz alta todos os dias; nomear corretamente as coisas; não atenda pedidos feitos por gestos.Para impacientes leia poesias, músicas, etc. 

Atraso na aprendizagem da leitura e escrita; compreensão pobre de textos, dificuldade adquirir vocabulário adequado, pouca participação oral na classe, etc

MOTRICIDADE Apresenta movimentos desajeitados, cai muito, tem dificuldade em adquirir habilidades de autonomia como, fazer higiene pessoal, se vestir, etc.
Ensinar gradativamente a criança a praticar essas atividades sozinho, com supervisãoProblemas com a preensão do lápis e caligrafia de difícil compreensão, lenta, cansaço constante ao escrever, etc.

ATENÇÃODificuldade para permanecer sentado como os pares ou ficar correndo sem objetivo. Começa e larga tarefas, etc.
Jogos, atividades como jogo dos 7 erros, labirintos, etc.Criança inconstante, impulsiva, que não planeja, não percebe detalhes, erra por distração, não se controla,etc.

MEMÓRIAMuita dificuldade para seguir rotinas; aprender ordens, sequências como dias da semana, alfabeto, números, etc.
Jogos, atividades da vida diária com ordens corriqueiras “pegue os guardanapos e ponha na mesa”; e acrescer mais uma ordem dia a dia, etc. Fraca organização para lembrar fatos e estudar já que a memória é indispensável para o aprendizado.
NOÇÕES DE ESPAÇODificuldades para aprender as noções de esquerda direita, acima abaixo, mesmo após o treino.Uso de Brincadeiras e jogos que utilizem essas noções: pôr a mão direita no olho direito, etc.Desorganização espaço temporal: prejuízo na aprendizagem da matemática que não permite o bom desenvolvimento de estratégias e também leva a rejeição no grupo pois nos jogos essa habilidade é importante.

As crianças não precisam apresentar todos os comportamentos de presença de dificuldades acima descritas, bastando um ou dois deles como sinal de alerta.

Se mesmo com ajuda da professora e da família a criança não apresentar progressos, não superar as dificuldades, um profissional deverá ser consultado pois as prováveis e frequentes consequências, são para toda vida escolar!

Irene Maluf porIrene Maluf

Neurociências na Educação

Diferentemente dos outros animais, o filhote humano tão desprotegido
ao nascer de recursos para sobreviver por si só, revela durante seu
crescimento, interessantes aparatos neuropsicosociais que lhe permitem
dominar com inegável competência, variáveis de autocontrole nas áreas tanto cognitiva quanto afetiva, o que tem grande importância na prática educacional e especificamente no diagnóstico e intervenção psicopedagógica.


Entre muitos pesquisadores da atualidade, os médicos e os
neurocientistas produzem importantes trabalhos onde apontam os
componentes biológicos da aprendizagem e da expressão emocional e com
sucesso descrevem as funções e integrações entre várias estruturas cerebrais, como por exemplo a do sistema límbico (o também denominado “cérebro emocional”), com o córtex frontal, região nobre do cérebro humano envolvida na razão, planejamento, pensamento abstrato e outras funções cognitivas complexas, além da função motora.


As pesquisas mostram entre outras tantas informações, que se
interrompidas essas conexões entre o “cérebro emocional” e o córtex frontal, devido a situações de perigo que gerem medo, o pensamento e a ação do indivíduo são descontinuadas para priorizar o surgimento de uma reação corporal indispensável para a sobrevivência.


-E daí? -podem perguntar, que relação há entre a situação de um aluno
em sala de aula com esse rompimento entre as duas funções cerebrais,
causada pelo medo? Acontece que o medo é uma das seis emoções primárias ou universais (alegria,tristeza,medo,cólera,surpresa e aversão), que surge não apenas quando nos sentimos fisicamente ameaçados, mas quando nossa situação de conforto, bem estar, segurança afetiva e social podem estar em risco, como no caso de crianças com baixa auto estima, com dificuldades de aprendizagem, com conflitos afetivos, que sofrem violências físicas e emocionais de toda ordem, atravessam um período de luto, etc.

Nesses contextos, é de se esperar que as emoções tenham um papel
decisivo na educação formal, na capacidade de manter a atenção e de
aprender. Tanto o comportamento social quanto o desempenho escolar podem ser prejudicados pelos problemas afetivos, apesar de não haver uma perda nos aspectos cognitivos.


Os professores e os psicopedagogos, podem utilizar-se dos
conhecimentos da neurociência para deles extrair respaldo para estabelecer novas estratégias de conduta profissional, que facilitem alcançar o sucesso em seu trabalho e assim promover uma condição facilitadora da aprendizagem de todos os alunos.


Reconhecer que o cérebro humano é a sede da emoção e da razão, não
está mais em discussão entre os profissionais das diferentes áreas há várias
décadas e menos ainda hoje, quando o podemos constatar através de múltiplas pesquisas e com uso inclusive das neuro imagens. Mas a operacionalização, a aplicação desses conhecimentos na prática, sem dúvida ainda requer um longo trajeto de estudo e aprofundamento de todos nós que trabalhamos com a educação.