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Arquivo mensal dezembro 2019

Irene Maluf porIrene Maluf

Quando contar que papai noel não existe?

Aproxima-se novamente o Natal, data de confraternização, troca de presentes e encontros familiares. Época que encanta especialmente às crianças, que aguardam ansiosamente a visita do Papai Noel.

Várias histórias explicam a origem do Bom Velhinho, sendo a mais aceita a que o descreve como um bispo católico muito bondoso, chamado Nicolau, que viveu na no século V. Cansado de ver o sofrimento de seu povo, especialmente das crianças, resolveu presentear a garotada com brinquedos e guloseimas, justamente na data em que os católicos comemoram o nascimento de Jesus. Assim aos poucos, nasceu a história do Papai Noel que logo foi se disseminando mundo afora.

Por isso, Papai Noel também é conhecido como São Nicolau, o santo das crianças, e seu dia é comemorado em 6 dezembro. Mesmo que ele não passe de uma lenda, simboliza a bondade, a generosidade e a renovação da vida. Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo.

Como as crianças pequenas vivem em um mundo de fantasia até por volta dos cinco ou seis anos e como são naturalmente egocêntricas (acreditam que tudo gira em torno delas) as explicações fantasiosas que os pais lhes dão, são rapidamente aceitas, pois fazem todo sentido até essa idade.

Assim como acreditam no mundo encantado dos desenhos animados, das histórias e contos de fadas. Para elas a existência do “Bom Velhinho” que traz presentes na noite de Natal, é perfeitamente plausível. E agradável.

Para entendermos como isso acontece na mente infantil é interessante lembrarmos que entre os 2 anos e até mais ou menos os 6 ou 7 anos, as crianças vão conquistando, gradativamente, novas capacidades do pensar.

Experimentando o mundo real através da brincadeira e da imaginação, elas vão se apoderando de seu próprio pensamento. Somente depois dos 6 anos é que elas vão desenvolver gradativamente a capacidade de considerar com lógica se os fatos são verdadeiros ou fantasiosos. Importante lembrar que as fantasias das crianças até essa faixa etária, não se destinam a enganar maliciosamente: fazem parte do pensamento infantil e natural dessa idade.

Acreditar na figura do Papai Noel é quase que uma etapa saudável do desenvolvimento mental da criança, assim como também o é, crer no Coelhinho da Páscoa e nas figuras que povoam os contos de fadas. As crianças depositam nessas figuras imaginárias toda sua fantasia, que deve ser desmistificada somente à medida em que estiverem prontas para saber a verdade. Ou seja, deve-se responder às perguntas sobre a existência real ou não do Papai Noel quando a criança começar a perguntar ou demonstrar que desconfia de algo a respeito.

O ideal é comparar o Papai Noel aos heróis das historinhas, dos personagens dos contos de fadas, para que entendam que mesmo não sendo como os humanos, têm uma “vida” em nossa imaginação e coração para sempre.

Importante mesmo, é transmitir aos pequenos o verdadeiro significado do espírito de Natal, o que pode começar por volta dos 3 ou 4 anos, quando  a criança começa a entender o significado maior desta data: a confraternização entre as pessoas. Logo, os pais podem e devem lhe oferecer a possibilidade de vivenciar na prática, valores como solidariedade, companheirismo e doação.

As crianças podem, por exemplo, ajudar a montar a árvore de Natal, enriquecendo-a com seus enfeites, desenhos e bilhetinhos feitos por elas para essa data, assim como ceder alguns brinquedos em bom estado com os quais não brinca mais, para crianças carentes ou preparar pequenos presentes feitos por elas para seus parentes e amigos. 

É importante que todos, pais e filhos, pensem no verdadeiro significado do Natal. É bom mostrar às crianças que “o que vou ganhar? deve ser trocado  pelo “como posso ajudar”?

A época do Natal é uma ocasião de reflexão e crescimento para toda a família. Pensem nisso, antes de comprarem um mar de presentes que logo ficarão esquecidos em uma gaveta. Os valores transmitidos não tem prazo de validade e com certeza trarão felicidade por muito mais tempo!

Irene Maluf porIrene Maluf

Uma nova forma de ensinar

A Finlândia quer ser o primeiro país do mundo a abolir completamente a tradicional divisão do conteúdo escolar em “Matérias” e adotar em todas as suas escolas o ensino por “Tópicos” multidisciplinares (ou “Fenômenos”, conforme a terminologia adotada pelos educadores finlandeses). A grosso modo, pode-se dizer que se trata simultaneamente de uma combinação diferenciada entre uma nova forma de dividir as disciplinas escolares com uma abordagem multidisciplinar dentro da sala de aula. Ou seja, não se adotam os conteúdos escolares repartidos em disciplinas tradicionais e nem as aulas são planejadas e ministradas por um único professor especialista.

“Cada aula passa a ser esboçada e desenvolvida não segundo as diretrizes de uma disciplina (biologia, por exemplo) mas segundo um tópico, um assunto, um “fenômeno”, (“o aquecimento global” por exemplo) por três ou mais professores que abordam o tema de acordo com sua especialidade (biologia, química, física, geografia e etc)”, explica Irene Maluf, especialista em psicopedagogia, educação especial e neuroaprendizagem.

Na Finlândia, tal sistema tem mostrado ser uma forma muito eficaz em consonância com aquilo que eles já tem solidificado em questão de educação: sem dúvida estão muito mais desenvolvidos que qualquer outro pais nesse quesito. O resultado é tão bom que hoje o plano é passar em breve a oferecer dois períodos de ensino multidisciplinar baseado em “Fenômenos”por ano. “É uma forma interessante, motivadora de aprendizagem multidisciplinar que está de acordo com a maneira como as crianças e jovens da contemporaneidade se aproximam do conhecimento. Traz a escola para a século XXI”, explica Irene.

No Brasil, um método assim daria certo? Segundo Irene Maluf esse tipo de experiência não pode ser replicada sem muita reflexão , sem fundamentos que a justifiquem. Não se trata de mais um modismo, mas de uma abordagem pedagógica diferenciada, uma verdadeira mudança no sistema educacional, inclusive de acordo com os princípios da neurociência aplicada a educação.

É indispensável olhar o contexto, as demandas, a realidade, as necessidades reais de caso, principalmente em um país de tantas diferenças regionais como o nosso, para se compreender porque uma mudança dessa monta pode dar certo na Finlândia e ser um desastre se copiada em outros pais.
“Há condições indispensáveis que levaram tal processo ser bem sucedido na Finlândia, como a excelência na formação dos professores, a priorização de recursos e as próprias particularidades do ensino desse pais, sua cultura, etc. Para o aplicar no Brasil seria preciso antes de mais nada planejamento, orientação e preparo dos professores “.

Tornar-se a primeira potência mundial em educação não foi um milagre que simplesmente ocorreu na Finlândia e nem uma posição alcançada sem esforço pelos finlandeses. Eles privilegiaram a formação acadêmica de seus professores, com nível pelo menos de mestrado para poderem lecionar em qualquer grau. E os professores gozam de grande autonomia ao ensinar: existe é claro um programa a cumprir, mas cada professor decide como e quando vai ministrar os conteúdos, de acordo com o perfil de sua turma. “São os profissionais mais respeitados do país assim como os cursos ligados à educação são os mais procurados pelo reconhecimento que geram. Os pais levam os filhos a bibliotecas nos finais de semana e lá não existe a possibilidade de terceirizar a responsabilidade pela educação das crianças”.

Os jovens levam a educação a sério, pois sabem que é só através dela que podem alcançar um bom padrão de vida futuramente”, completa a especialista.