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Arquivo mensal outubro 2019

Irene Maluf porIrene Maluf

A Neurociência e a Arte

Quantas vezes, ao olhar para as notas escolares dos filhos, os pais dizem: “Pelo menos em Artes você conseguiu alcançar a média!”? E ao invés de estimularem a criança a continuar tendo sucesso nessa disciplina, a desencorajam! E fazem seu filho perder uma grande oportunidade de melhorar sua autoestima, desenvolver interesse pelos estudos e ambicionar se destacar também nas demais disciplinas.

Estudos científicos recentes têm provado que a prática de uma expressão da arte é importante, e até indispensável, para a educação das crianças, já que esta amplia a percepção, a afetividade, a memória, a capacidade atencional e de concentração, assim como o planejamento, organização e antecipação, expressão, além da imaginação, do sentido estético e da criatividade, que são pré-requisitos básicos e essenciais para o desenvolvimento harmônico de toda a escolaridade.

A música, por exemplo, é ligada à capacidade de aprendizagem da Matemática e está também intimamente relacionada ao desenvolvimento das funções da linguagem e da expressão verbal. Não é à toa que as crianças de todo o mundo passam seus anos pré-escolares aprendendo a cantar, a tocar algum instrumento, a dançar, desenhar e pintar: nosso cérebro requer tais atividades para revelar seu melhor potencial de aprendizagem. Por que, então, depois dessa fase, algumas pessoas deixam de dar crédito a essas atividades que estimulam todos os sentidos, seja auditivo, o tátil, o visual e o cinestésico? Isso sem falarmos das questões relacionadas à autoestima, principalmente das crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem, que fortalecem, através do seu contato com a arte, a motivação catalisadora de condições neurológicas, que propiciam melhores condições de aproveitamento da escolaridade.

A arte estimula também as crianças e jovens a superarem seus problemas de timidez, insegurança, dificuldade de relacionamento social e é conhecida a importância que tem no tratamento de pessoas mentalmente prejudicadas.

A inegável importância do cérebro no processo de aprendizagem tem levado muitos educadores e psicopedagogos a buscarem nas contribuições da Neurociência uma maior compreensão do processo de aprendizagem e novos recursos para facilitar seu trabalho nas classes e no consultório.

Diferentes estudos neurocientíficos comprovam que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de modo inter-relacionado: assim, interligar as artes de modo geral, e a música mais especificamente, nas atividades pedagógicas, resulta em uma experiência que promove a cooperação simultânea do sistema visual, auditivo e tátil. A musicalização, por exemplo, favorece a cognição, a afetividade, a psicomotricidade, a comunicação e a cooperação, fatores essenciais na alfabetização.

As pesquisas de Michael Gazzaniga, um respeitado neurocientista da atualidade, objetivam descobrir como a arte influencia a cognição das crianças. Através de técnicas de imageamento cerebral, em um estudo de vários anos, constatou que a observação de obras de arte gera a motivação e a atenção sustentada e ativa diversos circuitos cognitivos do cérebro.

Quando um aluno demonstrar interesse pela arte, os professores e os pais devem se recordar da importância que esta tem para a aprendizagem e se lembrarem, na medida do possível, de aproveitarem o sucesso das crianças nessas atividades em favor do seu envolvimento e desenvolvimento escolar.

Irene Maluf porIrene Maluf

Agressividade Infantil

A agressividade é um sentimento natural e comportamentos agressivos são relativamente comuns entre as crianças de 1 a 3 anos, pois estas ainda não aprenderam a controlar seus sentimentos e reações, especialmente a frustração e a raiva que deles decorrem.

Entretanto, ninguém aprende sozinho a dominar sua agressividade: é preciso que os pais e os profissionais da educação que lidam com essa faixa etária estejam atentos, observando constantemente a maneira como os pequenos começam a se relacionar com coleguinhas e com os adultos.

E também, é claro, é importante que pais e professores se prepararem para interferir quando as mordidas, os arranhões e os tapas aparecerem no grupo.

Demonstrações de força física, entre crianças dessa faixa etária, são ações esperadas uma vez ou outra.

Entretanto, se essa conduta está presente no dia a dia, como única forma infantil de demonstrar seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúmes, ansiedade e até para chamar a atenção, de modo persistente e difícil de ser controlada, temos que buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.

Na medida em que o tempo passa, as consequências vão surgindo, tais como uma grande dificuldade de lidar de maneira adequada com as outras pessoas em todos os ambientes.

Sua socialização vai se tornando cada vez mais empobrecida, permeada de múltiplos problemas de relacionamento e, decorrente a isso, sua autoestima fica diminuída e frequentemente até sua escolaridade é prejudicada.

Algumas vezes, este comportamento é resultado de uma disciplina familiar excessivamente severa ou, ao contrário, muito negligente. Ainda, pode ser consequência da vivência diária da violência familiar.

O que fazer em casa e na escola para desde bem cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma menos violenta os seus sentimentos de desagrado?

Primeiro, quando o bebê começar a bater no rosto dos pais, lembrar-se de que isso pode parecer engraçado da primeira vez, mas que, por conta dessa atitude, toda criança vai entendê-la como de atenção e aprovação e, com isso, ela perseverará nesse hábito agressivo e desagradável.

Espera-se que o adulto, em vez de rir, diga “não” de forma firme (mas calma) e segure as suas mãozinhas, de modo que ela perceba o seu desagrado.

O ideal para modificar esse hábito é tentar conter a conduta agressiva antes de começar. As crianças agem dessa forma quando querem chamar a atenção e quando estão frustradas: portanto, já se tem um indício de quando poderá iniciar esse comportamento.

Se já souber falar, é importante explicar-lhe que tapas, mordidas e arranhões machucam as pessoas, que elas não gostam disso e vão se afastar dela.

Dizer: “Dói quando você me bate ou dói quando você me morde”. Se a criança persistir, mostrar seu desagrado, colocando-a no berço ou chão se já caminhar.

Evite deixar seu filho ou aluno machucar o amigo ou o irmão. No caso de isso acontecer, separe as crianças e atenda primeiro o que foi ofendido.

Isso mostra ao brigão que ele perde sua atenção quando age agressivamente.

Nunca revide no lugar da vítima e nem a estimule para que o faça, pois você estará passando a ideia de que a agressividade é permitida como revide, criando um círculo vicioso.

No lugar disso, quando a situação é repetitiva, eleja uma consequência negativa: não dar atenção por alguns minutos sempre ensina muito mais do que gritos ou palmadas.

Mas se apesar de seus esforços o comportamento agressivo persistir, é melhor procurar um especialista ou o recomendar aos pais se você for o(a) professor(a) da criança.

A experiência vem mostrando que, crianças pequenas que não são ensinadas desde cedo a conter seus ímpetos agressivos, tendem a continuar com esse comportamento ao longo da infância e da adolescência, o que as leva a ser rejeitadas pelos colegas de classe e a se juntar a grupos em que a violência é aceita como regra.

Isso vai gerar um problema de conduta antissocial de proporções e consequências negativas e muito graves.