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porIrene Maluf

Preocupações Com a Escola

Ao final do 3º bimestre de cada ano, quem tem filhos em idade escolar começa a ficar paulatinamente mais preocupado com a questão das avaliações, pois um boletim repleto de notas abaixo da média, já pode sinalizar a possibilidade real de retenção. E como ninguém deseja que o filho repita a série, todas as possibilidades cabíveis para “salvar o ano” começam a surgir nas conversas familiares. Afinal, o que fazer?Colocar a criança ou o jovem em uma série de aulas de reforço?Aumentar as exigências, diminuir as horas de lazer? Dar castigos, fazer promessas de presentes, viagens ou ameaçar de retirar tudo isso?

Apesar de todo mundo saber que esse problema pode ser evitado se a questão for administrada desde o primeiro mês de aulas, existe uma tendência para dar aos filhos o chamado “voto de confiança” ou seja, atender ao desejo da criança para gerenciar por si o resultado de seu empenho nos estudos. Como esse pedido vem normalmente acompanhado de promessas aos pais de que farão de tudo para não os decepcionar e estes, vendo tamanha demonstração daquilo que julgam ser um sinal de responsabilidade, quase sempre acreditam e cedem. De fato, em muitos casos, a criança e o adolescente não estão mentindo, ou tentando conseguir menos pressão familiar sobre seu trabalho escolar, mas convenhamos que todo adulto sabe que é preciso maturidade e autocontrole para ser conseguir seguir um planejamento a longo prazo.

Acontece que quanto mais nova a criança, mais ela precisa de modelos, de orientações, normas claras e principalmente, de permanente supervisão de seu trabalho escolar, para moldar seu comportamento e gradativamente adquirir recursos internos de organização, que lhe permitirão desempenhar a contento as exigências escolares: fazer e cumprir uma agenda diária,estudar em local e modo adequado e respeitar horários pré estabelecidos para estudo, fazer e entregar tarefas no prazo, se preparar devidamente para as provas, procurar ajuda caso precise e no momento em que surgirem dúvidas, etc.

Isso sem contar com a manutenção da motivação que depende em muito do apoio da família, dos professores, dos resultados de todo esse esforço e inclusive de maturidade do sistema nervoso. Tarefas dessa grandeza só são assimiladas depois de alguns anos de treino supervisionado e mesmo assim, mesmo quando já adolescentes, responsáveis e capazes de gerenciar sua vida acadêmica, ainda necessitam que os pais conversem rotineiramente com eles sobre essas questões, pois a multiplicidade de estimulações da atualidade representam um distrativo muito forte mesmo para os melhores alunos.

Mas o que fazer se a criança não teve esse tipo de aprendizado ao longo da sua escolaridade?Correr e achar professores particulares pode ser uma solução paliativa que trás resultados se as dificuldades forem pontuais, em um assunto ou até mesmo disciplina.

Mas se apesar dos reforços escolares e de um acompanhamento particular, as notas permanecerem baixas ou o desinteresse da criança persistir, o mais indicado é buscar ajuda com um profissional, preferencialmente um psicopedagogo, que irá buscar as causas do problema e estabelecer uma rotina de estudos mais personalizada para a criança. Um número muito grande de alunos nessa situação tem dificuldades de aprendizagem e por si mesmos não conseguirão superá-los.

Enganam-se os pais, que ao verem o filho demonstrar inteligência e competência para jogos por exemplo, pensam que se trata de preguiça e má vontade o mau desempenho da criança na escola. Crianças com dificuldades de aprendizagem respondem por um grupo enorme de causas e sintomas, que podem refletir baixa motivação, problemas emocionais, falta de conhecimentos prévios, má adaptação ao método de ensino da escola, problemas de socialização, mas todas são inteligentes e seus problemas se refletem apenas na aprendizagem formal , pelo tipo peculiar de exigência que essa promove.

Mais importante que solucionar as notas baixas no 3º bimestre, é resolver a causa desse problema, que entre outras coisas afeta a auto estima das crianças e a harmonia familiar.

Irene Maluf

porIrene Maluf

Transmita responsabilidade para tornar seus filhos igualmente responsáveis

As crianças não nascem com noções de responsabilidade: é preciso que os pais lhes incutam esses valores através de  exemplos e da cobrança de comportamentos que suscitem tais princípios.

Se o pai falar ao filho: pode pegar sem pagar o sorvete no mercado porque é barato , isso abre o mesmo precedente de falar pode faltar porque amanha vai ser véspera de feriado mesmo…No mercado podem chamar a polícia , na escola não, mas seguramente o pai vai ser chamado na hora da repetência por faltas, quando o filho for mais velho e decidir não ir…

Criar filhos comprometidos com suas obrigações exige certa dose de determinação dos pais e não dispensa que esses dominem seu desejo de exercitarem a excessiva benevolência – que se torna negligência – muitas vezes em prol de seu próprio desejo e conforto.

É muito comum se ouvir falar em medidas preventivas em relação à saúde, às finanças, à segurança, aos desastres naturais, às quebras e estragos das grandes e pequenas máquinas, mas dificilmente se pensa, com igual preocupação, em realmente estabelecer uma estratégia lógica e eficaz, em definir e aplicar tais ações em relação à educação.

O problema é que muitas vezes pensamos em educação como um conjunto de ações naturais que se vai optando adotar conforme as situações mais ou menos graves apareçam.

Um exemplo que se pode dizer “clássico”, ao se abordar a falta de planejamento educativo, é o problema enfrentado pelas famílias sobre deixarem ou não os filhos faltarem na escola nas vésperas de feriados para “esticarem” as já muito longas “pontes” que existem entre datas comemorativas e finais de semana.

A princípio, pode parecer que a criança não perceba porque ainda  está na pré escola, por exemplo, mas ela  vai sim se dar conta no regresso do passeio, quando os coleguinhas e a professora fizerem referência a brincadeiras e aprendizados  nos quais ela esteve ausente. E se o fato ocorre várias vezes, passará como corriqueiro para a criança que ao crescer não achará sentido algum em ir as aulas quando não sentir vontade de ir, pois afinal, os seus próprios pais legitimaram as faltas em detrimento da responsabilidade e do comprometimento no passado.

A escola é a entrada da criança na vida social e até laboral, por assim dizer. É importantíssima a maneira como a família lida com essa instituição , pois marca a forma como os pequenos vão começar a ver, sentir e perceber a maneira como deverão encarar seus compromissos para o resto da vida.