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porIrene Maluf

Mau comportamento infantil

Algumas variáveis determinam o comportamento de uma criança: seu temperamento, idade cronológica e seu desenvolvimento emocional, físico e cognitivo, além dos sentimentos de segurança emocional, autoimagem e, é claro, a sua história de vida.

Há a idade certa para determinados comportamentos, pois estes são a forma de comunicação com o meio ambiente, uma espécie de resposta aos estímulos recebidos e elaborados pelo sistema nervoso. A birra, por exemplo, é natural nos dois ou três primeiros anos de vida, pois a criança tem dificuldade em lidar com a frustração devido a sua imaturidade, inclusive neurológica.

Além disso, treina sua identidade e autonomia como em um jogo, que cabe ao adulto compreender e conter quando necessário. Mas com o passar do tempo, comportamentos desse tipo passam a ter outras conotações e influenciam na qualidade de vida, aprendizagem e socialização da criança.

Nos primeiros 36 meses, o temperamento infantil rege o comportamento, ou seja, há crianças por natureza mais calmas, mais acessíveis e outras que têm menor tolerância à contrariedade, mais dificuldades de adaptação a rotinas, regras, comandos. Mas a formação gradual de sua autoimagem, a percepção de valor que a criança atribui a si mesma, o ajustamento às normas familiares, as crenças incutidas pelas vivências e exemplos familiares, o amadurecimento do sistema nervoso, as novas experiências físicas, mentais e sociais vão fazer com que comece a se comportar de maneira mais equilibrada, porém ainda instável, que varia muito no quanto se sente querida, aprovada ou rejeitada.

Não se perceber amada, aceita, pertencente ao grupo familiar faz com que a forma de tentar alcançar um pouco de atenção nem sempre seja a mais conveniente. O problema é que, muitas vezes, esse sentimento dos filhos é uma surpresa para os próprios pais, que acreditam estar demonstrando seus cuidados, seu amor incondicional e sua confiança em suas crianças. Assim, crianças e adultos se baseiam em crenças errôneas para tentar obter aprovação!

Claro que há comportamentos inadequados promovidos pela impulsividade infantil, cansaço físico e mental, doença ou incapacidade de vencer a frustração, mas de modo geral podemos, a partir dos estudos de Dreikurs, entender quatro classes de objetivos errados na educação e comunicação com nossos filhos:

1) ATENÇÃO NEGATIVA

Se a criança percebe que com seu mau comportamento deixa o adulto irritado, preocupado ou culpado, ela vai se comportar sempre assim, pois consegue, de alguma maneira, a atenção (ainda que negativa) deles! E atenção é sinônimo de amor, valorização.

2) PODER NEGATIVO

É uma forma de autovalorização perigosa, pois dá margem a tentar obter o controle sobre o adulto de modo muito incerto. Em geral os conflitos gerados são duradouros e deixam marcas afetivas na criança e no relacionamento com os pais.

3) VINGANÇA INFANTIL

Promove satisfação compensatória quando a criança se sente desvalorizada. Compreender onde erramos e mostrar-lhe nossos sentimentos ajudam a vencer suas frustrações e a se comportar de outra forma. Ignorar a má conduta e sugerir novas tarefas, as quais sabe-se que a criança se sairá bem, em geral resolvem.

4) DESISTÊNCIA OU INCAPACIDADE ASSUMIDA

Desânimo e desencorajamento fazem com que a criança busque sempre o fracasso como modo de obter atenção e o expressa com comportamentos que confirmam essa crença dos pais. Portanto, valorizar-lhe o empenho e crescimento é uma forma de mudar a situação.

Nunca é demais lembrar que pais excessivamente autoritários criam filhos introvertidos, com reduzidas condições de decisão, baixa autoestima, mas também desafiadores, conflituosos, rebeldes, pois copiam a linguagem paterna.

Pais muito negligentes em relação a normas e regras criam filhos igualmente despreparados para a vida autônoma: apesar de geralmente parecerem ser independentes, eles sofrem com a sobrecarga emocional que as decisões precoces obrigam. E se comportam igualmente mal, para conseguir atenção e segurança com as respostas dos adultos.

Esse conhecimento é útil para que os familiares consigam entender que grande parte dos problemas que enfrentam com o comportamento dos filhos advém de seu próprio comportamento. É preciso aprender a lidar, ensinar e manter um ambiente de segurança emocional, harmônico, com regras e consequências claras ao seu não cumprimento.

Crianças precisam desses cuidados para desenvolver comportamentos adaptativos positivos, maturidade, responsabilidade e autocontrole. Condutas desajustadas na vida familiar e social repercutem na escola e no aproveitamento pedagógico. E podem sugerir aos leigos problemas de neurodesenvolvimento, que na verdade são apenas comportamentais.

Uma mudança na forma de perceber a mensagem embutida no comportamento infantil é a melhor maneira de avaliação, antes de qualquer outra providência.

 

Fonte: Site Revista Psique – Por Maria Irene Maluf / Adaptação Web Rachel de Brito

porIrene Maluf

Agressividade Infantil

A agressividade é um sentimento natural e comportamentos agressivos, são relativamente comuns entre as crianças de 1 a 3 anos, pois estas ainda não aprenderam a controlar seus sentimentos e reações, especialmente a frustração e a raiva que dela decorre. Entretanto, ninguém  aprende sozinho a dominar sua agressividade: é preciso que os pais e os profissionais da educação que lidam com essa faixa etária, estejam atentos, observando constantemente a maneira como os pequenos começam a se relacionar com coleguinhas e com os adultos. E também, é claro, se prepararem para interferir quando as mordidas, os arranhões e os tapas aparecerem no grupo.

Demonstrações de força física, entre crianças dessa faixa etária, são ações esperadas uma vez ou outra. Entretanto, se essa conduta está presente no dia a dia, como única forma infantil de demonstrar seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúmes, ansiedade e até para chamar a atenção, de modo persistente e difícil de ser controlada, temos que buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.

Na medida que o tempo passa, as conseqüências vão surgindo, como por exemplo uma grande dificuldade de lidar de maneira adequada com as outras pessoas em todos os ambientes. Sua socialização vai se tornando cada vez mais empobrecida, permeada de múltiplos problemas de relacionamento e decorrente a isso, sua autoestima fica diminuída e freqüentemente até sua escolaridade é prejudicada.

Algumas vezes, este comportamento é resultado de uma disciplina familiar excessivamente severa ou ao contrário, muito negligente; ou ainda, conseqüência da vivência diária da violência familiar. O que fazer em casa e na escola, para desde bem cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma menos violenta os seus sentimentos de desagrado?
Primeiro, quando o bebê começar a bater no rosto dos pais, lembrar-se de que isso pode parecer engraçado da primeira vez, mas que por conta dessa atitude que toda criança entende como de atenção e aprovação, ela perseverará nesse hábito agressivo e desagradável. Espera-se que o adulto ao invés de rir, diga “não” de forma firme (mas calma) e segure as suas mãozinhas, para que ela perceba o seu desagrado.

O ideal, para modificar esse habito, é tentar conter a conduta agressiva antes de começar. As crianças agem dessa forma, quando querem chamar a atenção e quando estão frustradas: portanto já se tem um indício de quando poderá iniciar esse comportamento.
Se já souber falar, é importante explicar-lhe de que tapas, mordidas e arranhões machucam as pessoas, que elas não gostam disso e vão se afastar dele. Dizer: “Dói quando você me bate ou dói quando você me morde”. Se a criança persistir, mostrar seu desagrado, colocando-a no berço ou chão se já caminhar.

Evite deixar seu filho ou aluno, machucar o amigo ou o irmão. No caso isso acontecer, separe as crianças e atenda primeiro o que foi ofendido. Isso mostra ao brigão que ele perde sua atenção quando age agressivamente. Nunca revide no lugar da vítima e nem a estimule para que o faça, pois você estará passando a idéia de que a agressividade é permitida como revide, criando um círculo vicioso. No lugar disso, quando a situação é repetitiva, eleja uma conseqüência negativa: não dar atenção por alguns minutos, sempre ensina muito mais do que gritos ou palmadas.

Mas se apesar de seus esforços, o comportamento agressivo persistir, é melhor procurar um especialista ou o recomendar aos pais, se você for o(a) professor(a) da criança.
A experiência vem mostrando, que crianças pequenas, que não são ensinadas desde cedo a conter seus ímpetos agressivos, tendem a continuar com esse comportamento ao longo da infância e da adolescência, o que as leva a serem rejeitadas pelos colegas de classe e a se juntar a grupos onde a violência é aceita como regra, gerando um problema de conduta anti-social de proporções e conseqüências negativas e muito graves.

porIrene Maluf

Psicopedagogia Institucional

Segundo a Associação Brasileira de Psicopedagogia, “A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde que se ocupa do processo de aprendizagem considerando o sujeito, a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio histórico, utilizando procedimentos próprios, fundamentados em diferentes referenciais teóricos”.¹

Dessa definição se entende que essencialmente o objeto de estudo e de trabalho do psicopedagogo é a aprendizagem e como esta ocorre desde o princípio da vida humana e em todos os lugares e ambientes, sejam
ou não educativos, imediatamente percebemos a complexidade do desafio enfrentado por esse especialista, notadamente quando se trata inclusive de lidar com as Dificuldades e os Transtornos de Aprendizagem.

À parte os referenciais teóricos que dão sustentação à pratica profissional, que todos aprendem durante o curso de especialização, todo psicopedagogo, tal como um médico cirurgião, precisa ao longo de muitos anos, se submeter a supervisões periódicas com profissionais experientes da própria área ou áreas afins. Isso, sem esquecer do quanto é importante estar ao lado de uma equipe multiprofissional, já que boa parte das avaliações transcendem o campo de saber de um profissional e um bom diagnóstico é imprescindível para a intervenção exitosa seja na clínica ou na instituição.

“A intervenção Psicopedagógica é sempre da ordem do conhecimento,
relacionada com a aprendizagem, considerando o caráter indissociável entre os processos de aprendizagem e as suas dificuldades” e “na Educação e na Saúde, se dá em diferentes âmbitos da aprendizagem, considerando o caráter indissociável entre o institucional e o clínico”. ²

Na escola deve haver uma orientação preventiva que não permita que o fracasso escolar ocorra, que impeça a exclusão, o sofrimento do que aprende com dificuldade ou nem aprende, pois precisa de um outro recurso, de outra forma de ensino, outras estratégias. E tal orientação, convenhamos, se faz hoje ainda mais necessária do que nunca, devido ao contexto educacional inclusivo, no qual crianças e jovens com necessidades educativas especiais ganharam direito à matrícula em todos os bancos escolares e boa parte dos professores não são especialistas em educação especial.

Cabe ao Psicopedagogo organizar essa ação, de modo a respeitar os limites e as características de cada aluno, ao mesmo tempo em que lhe proporciona, e aos professores, recursos para uma aprendizagem exitosa.
Mas esse especialista atua em nível institucional, não apenas em escolas (públicas e privadas), mas em empresas, hospitais, ONGs e ambientes afins.

O psicopedagogo pode atuar tanto na Saúde como na Educação, já que o seu saber visa compreender e intervir nas variadas dimensões da aprendizagem humana. Assim, trabalha com a saúde mental da infância e adolescência em hospitais e clínicas, já que grande parte das queixas que levam crianças ao serviço de Saúde Mental dizem respeito a dificuldades de aprendizado. Da mesma forma, pode trabalhar com crianças hospitalizadas e
seu processo de aprendizagem em parceria com a equipe multidisciplinar da instituição hospitalar, tais como: psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos.

Sendo uma especialização que ainda pode ser considerada recente no Brasil (35 anos) tem crescido muito e hoje também se ocupa com as questões de Adaptação Social e Escolar que implicam novos aprendizados, como no caso de mudanças de escolas, de método de ensino, etc.

Em países europeus aonde há um número expressivo de imigrantes essa modalidade vem sendo muito desenvolvida. Em perícias judiciais, abre-se um novo campo de trabalho além da clínica, para o psicopedagogo: com questões que implicam em avaliações sobre as condições de aprendizado que a criança vivencia em sua família e na instituição que frequenta, etc.

Também é frequente lidar com assuntos referentes a orientação familiar, em relação a maneira como os pais ensinam os comportamentos aos filhos e estabelecem padrões de relações entre os membros da família, lidam com a aprendizagem, o valor que dão ao conhecimento, etc.

A atividade clínica, não contrária, mas complementar, tem características remediativas. A criança com dificuldades ou transtornos no aprender, cuja resposta pedagógica se torna inviável sem auxílio profissional, é levada a um consultório aonde após um período de avaliação, por vezes multidisciplinar, passa a ser atendida na sua problemática por um especialista em aprendizagem: um psicopedagogo. Sua autoestima e potencialidades passam a ser cuidadas no âmbito da individualidade.

1, 2 Código de ética do psicopedagogo 2011, Associação Brasileira de
Psicopedagogia

porIrene Maluf

Para educar é preciso ensinar limites e regras

Para educar é preciso ensinar limites e regras

Mudaram as crianças ou mudou a forma como os adultos educam as crianças? Essa é uma questão levantada por Maria Irene Maluf ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007). Ela orienta os pais a conversarem diariamente com os seus filhos com o objetivo de analisar o que está sendo transmitido pela publicidade voltada para elas, se se trata de um conteúdo prejudicial ou não. E o passo seguinte, diz a especialista, é impor regras e limites, principalmente sobre o que elas exigem estimuladas pela publicidade. Em seu depoimento para a campanha Somos Todos Responsáveis, Irene Maluf diz que os filhos dessa geração são os mesmos de outras, o que mudou foi a forma de os pais imporem limites. Segundo ela, muitos pais chegam até ela dizendo que as crianças já vivem em uma sociedade muito cheia de regras, com horário para ir e voltar da escola, cursos extras, e por isso não merecem mais moderação. Ela desaconselha essa postura e alerta para que um “não” seja mantido até o final. Se voltar atrás, ela diz, a criança sempre vai saber que o seu “não” é momentâneo.

 

Fonte: http://www.somostodosresponsaveis.com.br

porRedação

Um psicopedagogo na escola?

Quando atuava como professora na rede municipal de Itabira, em Minas Gerais, Ketlim de Castro, 35 anos, presenciava uma situação recorrente. Os alunos com dificuldades mais graves para acompanhar as aulas acabavam deixados de lado no processo.

“Comecei a reunir três alunos por vez em uma sala, organizando-os por dificuldades comuns e atendendo quase 80 por semana. Foi muito bom. Geralmente, essas crianças têm autoestima muito baixa, acham que não sabem nada e que nunca vão aprender. Porém, quando viam colegas em situações parecidas, sentiam-se mais motivados”, conta Ketlim, que hoje atua como psicopedagoga na Escola Municipal Água Fresca.

Os impactos positivos da inserção escolar do psicopedagogo no desempenho dos alunos chamaram a atenção da Secretaria de Educação do município. Desde 2010, a rede de Itabira adotou um programa, ainda em formato piloto, batizado de Projeto Crescer.

“A ideia é que em 2014 cada escola tenha um profissional para atuar no atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem, na orientação dos pais, na construção do Plano de Desenvolvimento Individual para estudantes com distúrbios de aprendizagem ou síndromes e na formação de professores a partir da demanda de cada escola”, explica Ketlim, que coordena o projeto.

Além de Itabira, outros municípios preveem a presença do profissional nas equipes pedagógicas. Em São Paulo, destacam-se as redes de Barueri, Osasco, Santana de Parnaíba, Santos e, mais recentemente, a da própria capital. Em abril, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou lei que tornou obrigatória a assistência psicopedagógica aos alunos da rede municipal da capital paulista.

A justificativa oficial é detectar, prevenir e intervir em problemas de estudantes de Educação Infantil e Ensino Fundamental. A partir de 2014, cada Diretoria Regional de Educação também terá um psicopedagogo na equipe, atualmente composta de profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.

Déficit de aprendizagem
O psicopedagogo deve favorecer a aprendizagem daqueles que apresentam déficits. Foto: PIXABAY

Segundo a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), mais de 150 mil profissionais atuam no setor em todo o Brasil, parte deles em 92 municípios de 20 estados brasileiros que já realizaram concursos para contratar psicopedagogos, entre eles as capitais São Luís (MA) e Teresina (PI).

Mas qual é, afinal, o papel desempenhado pelo psicopedagogo na escola? “Ele entra para ajudar a observar os processos de construção do conhecimento e favorecer a aprendizagem daqueles que precisam desenvolver competências e que, muitas vezes, não conseguem fazê-lo só com a ajuda dos professores”, explica Gilca Lucena Kortmann, vice-presidente da unidade do Rio Grande do Sul da Associação Brasileira de Psicopedagogia e coordenadora de Graduação e Pós-Graduação em Psicopedagogia do Centro Universitário La Salle (Unilasalle Canoas).

Para Quézia Bombonatto, presidente da ABPp, o profissional deve avaliar a escola com base na condução do processo de ensino-aprendizagem e nas demandas locais. “Depois dessa investigação, o psicopedagogo cria um plano de atuação abrangendo a relação entre professores, alunos e coordenação, sempre tendo em vista os obstáculos que podem estar levando certos estudantes ao fracasso escolar”, afirma.

Essas avaliações não devem ser confundidas com diagnósticos. É o que alerta Maria Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

“Quem dá diagnóstico é o médico. O que o profissional da Psicopedagogia faz são avaliações. Por exemplo, se perceber que um aluno tem problemas na escrita, ele vai lá e aponta essa dificuldade e os sintomas dela, mas nunca dirá que ele tem esse ou aquele distúrbio. O psicopedagogo faz uma intervenção, uma orientação dos profissionais da escola sobre como incluir determinado aluno.”

Matheus Soares, professor de Língua Portuguesa na Escola Estadual Senador José Ermírio de Moraes e pós-graduado em Psicopedagogia pelo Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação (Censupeg), destaca a importância de a escola possuir parceiros especialistas de diferentes áreas que possam contribuir para a solução de problemas.

“O psicopedagogo é alguém com um olhar diferenciado para as defasagens, mas que visa principalmente formar e orientar os professores”, diz. Coautor do artigo “A contribuição do psicopedagogo no contexto escolar” em parceria com Clério Cezar Batista Sena, ele entende que “deve existir diálogo constante entre esses profissionais, para refletir e realizar interferências no processo de aprendizado dos alunos”.

Para isso, o profissional deve buscar também a parceria de outros especialistas que precisam estar direta ou indiretamente nas escolas, como psicólogos, neurologistas e fonoaudiólogos. “A ação do psicopedagogo também pode acontecer no âmbito da instituição familiar, quando orienta os pais em relação às atitudes promotoras da aprendizagem”, diz Marcia Siqueira de Andrade, doutora em Psicologia da Educação pela PUC-SP e coordenadora dos cursos de graduação e pós-graduação em Psicopedagogia do Centro Universitário Fieo.

Embora vários municípios realizem concursos públicos para a contratação de psicopedagogos, a profissão ainda não é oficialmente reconhecida, o que significa que não existe um Conselho próprio.

“É um perfil de profissional que está sendo construído continuamente diante das dificuldades contemporâneas da escola. Hoje, o maior desafio do psicopedagogo é justamente encontrar o seu espaço e fazer com que essas instituições o reconheçam”, aponta Soares.

Fonte: Site Carta Educação

*Publicado originalmente em Carta Fundamental