Arquivo de tag profissionais

porRedação

Início do curso Especialização em Neuroaprendizagem, Psicomotricidade e Cognição

Dia 29 e 30 de setembro, o Núcleo de Formação Profissional em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem Irene Maluf em parceria com o Instituto Saber e com a Unades/FTP iniciou a turma do curso de Especialização em Neuroaprendizagem, Psicomotricidade e Cognição. O primeiro dia contou com a presença do  Prof. Dr. Marco Del Aquilla e a Prof. Teresa Borghi.

porIrene Maluf

Proteção exagerada faz mal

Por incrível que pareça, não são os elogios exagerados, os mimos, a superproteção, a hipervalorizarão que ajudam a formar a autoestima: pelo contrário, esses comportamentos paternos prejudicam, e muito, o seu desenvolvimento.

Nos primeiros meses de vida, formam- se vínculos afetivos e de segurança entre pais e filhos, na medida em que as crianças se sentem amadas, seguras e atendidas nas suas necessidades primordiais. Quando vem a famosa fase dos “não”, e a criança se opõe a praticamente tudo, tentando se afirmar, então são os limites impostos pelos adultos, juntamente com o respeito aos seus limites e capacidade física, mental e psicológica, que dão à criança a continuidade do sentimento de segurança.

Depois, na pré-escola, quando convive com o mundo fora de casa e começa a enfrentar pequenos entraves e a vivenciar as inevitáveis diferenças e disputas, são os pais que a ajudam a compreender essas realidades, quando realçam de modo objetivo e carinhoso suas qualidades, talentos, incentivando-a a vencer obstáculos. Assim tomam ciência de seu real valor, sem deixar de apreciar a capacidade do outro, sem pensar que tem poderes ou direitos maiores ou que não precisa lutar para se sobressair por seus próprios méritos.

Em qualquer idade, vale a força do modelo que os pais passam aos filhos no dia a dia: a acuidade da percepção infantil supera em muito a importância que os adultos atribuem a ela e o valor que esse ser, ainda pequenino, sente possuir no meio de sua família, e a imagem que pais e irmãos demonstram ter sobre ela não passa de forma alguma despercebida, nem pela criança mais distraída, mais imatura.

Da relação construída ao longo dos primeiros 6 ou 7 anos, a criança, com os que são caros a ela, desenvolve a sua autoimagem: comentários depreciativos constantes formam uma autoimagem negativa, mas o excesso de falsos elogios, a proteção exagerada criam igualmente essa imagem, pois a criança logo se percebe mais fraca que seus iguais nos naturais embates diários.

Desenvolver a autoestima, ou seja, saber de seu valor enquanto pessoa, ter uma autoimagem positiva, confiança em si mesmo, dentro dos limites do respeito ao outro, é muito diferente de achar que é boa em tudo, é mais esperta e inteligente do que os amigos, que pode fazer o que quiser sem sofrer penalidades, que nada deve temer, etc.

Conhecer seus pontos fortes e fracos, seu valor pessoal, sentir-se amada e protegida pelos pais faz com que a criança cresça entendendo que tem capacidades e limites e que pode ser muito bem-sucedida exatamente do jeito que é, desde que tenha confiança em si e se esforce de modo determinado.

Podemos dizer que a autoestima tem quatro bases fundamentais:

1) O autoconhecimento, que se adquire graças às experiências vividas e às suas relações no meio social: a criança descobre suas aptidões naturais, interesses e também seus limites pessoais. A família, ao valorizar, respeitar suas características, ao ensiná-la a suportar frustrações, enfrentar dificuldades, ser persistente, estará ajudando essa criança a se conhecer e amadurecer. Crianças superprotegidas têm muita dificuldade de se autoconhecerem e assim não desenvolvem a autoestima.

2) A autoconfiança só se adquire em um lar com regras, limites e valores: esse é outro pré-requisito para a autoestima, que tanto a superproteção quanto a negligência familiar impedem de se desenvolver. Crianças precisam crescer sentindo que há por perto quem cuide delas, as ame, mas também as repreenda quando necessário. Precisam de regras, normas, modelos, conhecer seus deveres e direitos. Isso permite que cresçam com a noção de que são realmente capazes.

3) Sentir-se parte de um grupo: o primeiro grupo é a família, e sentir-se acolhido e amado nesse meio é fundamental para entender e superar uma série de situações da vida, pois uma criança rejeitada terá dificuldades de se socializar convenientemente. Crianças bem socializadas compartilham, são generosas, respeitosas, resolvem seus problemas de modo sensato com seu grupo. A rejeição tem um forte impacto na autoestima.

4) Sentimento de competência: para ser competente é preciso ter alguma experiência bem-sucedida, não bastam elogios. Portanto, é importante incentivar as crianças a produzirem, a fazerem coisas que possam gerar sucesso, conquistas, para desenvolverem esse sentimento.

Crianças e jovens com problemas de autoestima em geral têm dificuldades para interagir com seus pares, preferindo ficar junto dos pais. Dificilmente fazem escolhas próprias, optando por seguir a vontade do grupo, pois também não se fazem respeitar, de modo que evitam falar em público, detestam novidades, têm dificuldade para lidar com mudanças. Se depreciam, pois não reconhecem suas qualidades, seus pontos fortes e fracos e, por isso, têm problemas para se tornar adultos autônomos. São, em geral, aqueles adolescentes birrentos, agressivos, pouco motivados, que desistem rapidamente frente ao primeiro problema e não tomam para si desafios comuns da idade, pois se acham incapazes.

Muitas vezes, a ajuda de um profissional é indispensável. Procurar ouvir e observar as crianças desde cedo podem nos ensinar muito a respeito do que precisam e de como as devemos educar.

 

porIrene Maluf

Resiliência: um tema para repensarmos a educação de hoje

Todos nós, ao longo da vida passamos por muitos momentos alegres e numerosas situações difíceis, onde nossa capacidade de tolerância à frustração foi duramente posta à prova. O que nem sempre lembramos é que foram essas ocasiões de perdas, de dor, juntamente com a forma como as superamos, que  nos moldaram e nos tornaram quem somos hoje.

Existe uma palavra, emprestada da engenharia e da física, que explica muito bem porque e como algumas pessoas superam melhor do que outras, os revezes do dia a dia e conseguem tirar das situações mais difíceis, forças e capacidade de se reinventarem: é a resiliência.

Essa palavra tem sua origem no latim, Resílio, que significa retornar a um estado anterior. Na engenharia e na física ela é definida como a capacidade de um corpo físico voltar ao seu estado normal, depois de ter sofrido uma pressão que o deformou e nas ciências humanas designa a capacidade de um indivíduo, (re) construir-se frente às adversidades sofridas, mesmo num ambiente desfavorável.

Os estudos sobre a resiliência ainda não conseguiram concluir nada de muito claro sobre a origem dessa competência, ou seja se há alguma condição inata que favoreça o seu aparecimento ou se seu desenvolvimento se deva aos tipos de situações experimentadas pela pessoa, ou ainda se há necessidade de uma combinação articulada entre esses fatores.

Entretanto, hoje, vários estudiosos estão aprofundando suas pesquisas a partir de uma constatação inegável: a educação oferecida às crianças tem imensa influência no desenvolvimento de certas qualidades que a maioria das pessoas possui, mas que precisam ser corretamente estimuladas e vivenciadas no dia a dia. É o modelo, o exemplo e os princípios educacionais que fazem a diferença na hora de precisar reagir frente a uma situação de perda, frustração e dor.

Não se trata de nada que todos os pais não saibam ou nunca tenham ouvido falar, mas são ações importantes que infelizmente passam de modo as vezes pouco valorizado no dia a dia :falamos de disciplina, regras e conseqüências. Falamos de uma educação de valores, de respeito, onde se fazem constantes, freqüentes reflexões sobre atitudes, sobre valorização do potencial e autoconhecimento, onde são múltiplas as ações que estimulam a auto estima, a segurança pessoal e a empatia pelos demais.

Crianças educadas dentro desse perfil, alcançam com mais facilidade a autonomia, a independência responsável, e a capacidade de encontrar novas alternativas para resolução de situações problema e sentem-se no controle da forma como devem reagir frente às frustrações e sair renovado.

Não é demais recordar também, que não sendo centrados apenas nos seus interesses pessoais, os jovens criam recursos internos que lhes permitem descobrirem outras fontes de satisfação as quais não dão espaço que caminhos aparentemente compensatórios, como drogas e álcool, os dominem. Reconhecem por meio da aprendizagem dos modelos familiares, as possibilidades de enfrentamento das frustrações através dos vínculos afetivos estabelecidos no dia a dia, na aceitação das diferenças individuais, no reconhecimento familiar de suas qualidades, na importante sensação de pertencer a um grupo.

Educadas para serem fortes mas sensíveis, as crianças e jovens descobrem e reinventam objetivos de vida após as perdas e aprendem a construir estratégias para alcançar essas metas, encontrando em si próprios, motivação para continuar o seu crescimento saudável. E mais importante ainda, é que ao invés de saírem enfraquecidos após enfrentarem grandes problemas, elas sentem-se mais competentes para encarar os novos desafios inerentes à vida.